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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Vencendo a depressão

Escrito por Wlademir Lisso
 
A Organização Mundial de Saúde alerta que, até o ano de 2020, a depressão se transformará na segunda doença que mais vidas roubará no nosso planeta, perdendo apenas para doenças cardíacas, que continuará sendo a primeira doença. Segundo a mesma Organização Mundial de Saúde, no mundo, já em 2005, apontava-se a existência de 121 milhões de pessoas com depressão. No Brasil, pesquisa realizada em 2001 já revelava um número de 17 milhões de brasileiros deprimidos. Na nossa experiência de longos anos no atendimento a pessoas com depressão grave, em trabalhos espirituais e de apoio, observamos nos últimos anos não somente um crescimento no número de casos como, também e – infelizmente – os casos que se apresentam cada vez mais graves afetando um grande número de adolescentes e jovens entre 15 e 30 anos.

Muitos pais vivem, presentemente, o drama de terem filhos adolescentes e jovens com depressão grave, mas que na grande maioria dos casos – quando tratados adequadamente com as alternativas que examinaremos adiante – existe a recuperação, inclusive com suspensão de medicação.

Consideramos a assistência espiritual em trabalhos especializados fundamental na recuperação, em combinação com outras terapias – entre elas, medicamentos com diagnóstico e acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia, exercícios físicos, alimentação saudável – tendo em vista até a própria afirmação de especialistas que, diante da dificuldade de estabelecer no organismo a causa primária da depressão, afirmam ser “uma doença da alma”.

Sabemos que a depressão afeta o organismo, trazendo, inclusive, sintomas físicos ao lado dos mais conhecidos – os emocionais. Efeitos orgânicos como o fluxo de neurotransmissores responsáveis por sensações de bem-estar e prazer – como a serotonina e a noradrenalina e outros – são observados nas pessoas com depressão. Entretanto na visão espírita, os efeitos da depressão no organismo têm como causa o espírito, e na sua base, o plano do sentir, que forma o conjunto de sentimentos positivos e negativos que caracterizam – na sua manifestação – o que podemos designar de consciência.

Os sentimentos determinam a qualidade dos pensamentos, que impregnados de emoções condizentes com sua qualidade específica, transitam pelo cérebro afetando várias regiões quando se intensificam as exteriorizações dos sentimentos negativos no nosso campo mental.

Pela razão citada – que identifica a causa primária da depressão no espírito – entendemos que as terapias que visam equilibrar o metabolismo do cérebro e do organismo em geral e aquelas que visam levar equilíbrio ao comportamento necessitam da educação do “plano do sentir”, transformando sentimentos negativos em positivos, e se tal não for possível de imediato, o desenvolvimento de um autocontrole pela utilização da força espiritual, que vem do equilíbrio, para controlar os sentimentos negativos, visando fazer com que prevaleçam os sentimentos positivos.

A assistência espiritual especializada inclui não somente os passes e a desobsessão, mas também e principalmente palestras especializadas sobre temas relacionados com a depressão, juntamente com o Evangelho e a doutrina espírita, além da interação com as pessoas assistidas para orientação e esclarecimento de dúvidas. Se a causa não for adequadamente tratada, existirão dificuldades na recuperação e maior possibilidade de novas crises de depressão após a recuperação.

Lembramos também a importância do esclarecimento às pessoas deprimidas, familiares, amigos e responsáveis por orientação em casas espíritas, tendo em vista que o conhecimento afasta o medo do “desconhecido”, facilitando o apoio às pessoas com depressão e o desenvolvimento de um esforço pessoal do enfermo dentro dos limites que permite a depressão, visando, através das forças interiores, a liberação do processo de auto-cura, que é inerente aos organismos vivos e ao próprio espírito, gerado pela lei da conservação.

A minha experiência com a depressão e distúrbios mentais correlatos decorre da vivência de tais distúrbios em várias fases da minha vida, quando os antidepressivos ainda não estavam disponíveis. A falta de medicamentos específicos levou ao desenvolvimento de várias técnicas e procedimentos para aliviar os sintomas, principalmente nos momentos de crises agudas – fase em que os sintomas se tornam mais dolorosos.

Em abril de 2004, lancei a obra Reflexões sobre a Depressão, contendo catorze temas básicos que considerei essenciais, não somente para a melhora, como também para a recuperação das pessoas com depressão grave. Com base nessa obra, elaborei o projeto de uma assistência espiritual para atendimento de pessoas com depressão grave, implantado inicialmente na Federação Espírita do Estado de São Paulo e posteriormente em casas espíritas no Brasil e nos EUA.

A assistência espiritual que foi implantada na Federação Espírita do Estado de São Paulo tem sido um grande recurso para a recuperação de pessoas com depressão grave e vem atendendo, com sucesso, a um grande número de pessoas. Essa assistência está à disposição dos centros que desejarem conhecê-la, para considerar a sua adoção. Veja no final desta matéria o contato do autor.

A assistência espiritual, atualmente, está sendo aprimorada com procedimentos e técnicas novas visando acelerar o processo de recuperação. Na nossa experiência, observamos uma recuperação mais rápida no início da implantação do trabalho, com atendimento em grupos menores – no máximo de 40 a 50 pessoas – com técnicas específicas desenvolvidas por mim na apresentação dos temas, com filmes e recursos especiais de comunicação e experiência com a depressão e com pessoas deprimidas.

O crescimento dos trabalhos exige a utilização de colaboradores em grande número, cuja experiência mais limitada diminui a eficácia do trabalho aumentando o citado período de recuperação. O maior número de pessoas atendidas em cada grupo também dificulta a interação necessária, diminuindo a eficácia do trabalho.

Entretanto cumpre destacar que a assistência espiritual é sempre eficaz, ainda que não especializada – como tivemos oportunidade de constatar nas várias visitas às casas espíritas para palestras, cursos e eventos, onde encontrei pessoas com depressão grave obtendo melhoras mesmo nos trabalhos tradicionais.

No livro Temas atuais na visão espírita – vol. 1– também de minha autoria – os interessados podem encontrar informações importantes para o conteúdo de palestras e conhecimento do assunto para entrevistas e orientações nas casas espíritas.

A assistência espiritual que se realiza há quase quatro anos, juntamente com a elaboração das obras citadas, mais as minhas viagens ao exterior – em especial aos EUA, onde implantei, com o grupo local, o mesmo trabalho citado anteriormente, e as entrevistas com psicólogos e psiquiatras complementam a minha experiência sobre o assunto.

Em 2008, sentindo a necessidade de direcionar a orientação para aspectos práticos da depressão, lançamos o cd e o livro Vencendo a Depressão, elaborados com o objetivo de proporcionar às pessoas que vivenciam nesta fase da suas vidas a depressão grave um método de relaxamento e meditação que possa favorecer a recuperação e, durante a depressão, a superação das crises.

O cd oferece um exercício de relaxamento e uma meditação, elaborados a partir dos métodos que são adotados em vários exercícios semelhantes, mas que na prática verifiquei serem eficientes para reduzir os sintomas da depressão, diminuir e superar as crises agudas com maior facilidade e ajudar na recuperação. Incluí, para enfrentar as crises agudas, uma série de sugestões que podem ser ouvidas e utilizadas pelo deprimido para ajudá-lo a suportar os efeitos dolorosos da depressão.

Integra ainda a obra as recomendações gerais que foram desenvolvidas a partir da prática pessoal com deprimidos nos últimos quatro anos, do atendimento em trabalho espiritual especializado e também com base nos meus dois livros.

Fonte: http://www.rcespiritismo.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=232:vencendo-a-depressao&catid=34:artigos&Itemid=54

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO ESPÍRITA

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Bem sabemos que não seríamos nós os mais autorizados a falar sobre o assunto "Educação Infantil", porquanto não somos portadores de nenhum título acadêmico que abranja o professorado, no entanto, como vamos buscar apoio na farta bibliografia contida na Doutrina Espírita, à qual sempre recorreremos, atrevemo-nos a tecer considerações sobre ele.
Temos gravado em nossa mente: "Eduque a criança para não ter que punir o adulto".
Inicialmente, sabemos que a criança nada mais é do que um Espírito reencarnado, isto é, um Espírito inexperiente num corpo infantil, carregando farta bagagem de acertos e desacertos e que necessita ser educado pelos que aqui o recebem como educadores, sejam pais e mães ou os responsáveis diretos pela sua orientação.
É da competência dos responsáveis pela educação da criança a observação meticulosa do seu procedimento, de seus primeiros impulsos, de suas reações e tendências, seus instintos e predisposições, oportunidades para constatarem o caráter do Espírito que lhe está chegando.
O Espírito vai revelando, desde cedo, nos dois ou três anos de vida na carne, o seu conteúdo moral, ético, espiritual trazido do passado, competindo aos pais irem corrigindo tudo quanto fuja da boa educação, dos bons princípios.
Disseram as Nobres Entidades a Allan Kardec que, a finalidade do espírito passar pela fase infantil é a seguinte: "Encarnado, com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período (o infantil, lembramos), é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo" (1)
É do conhecimento de todos quantos se interessam pelo estudo mais profundo do Espiritismo que o Espírito vai somando em seu psiquismo todas as experiências e vivências anteriores, constituindo-se tais experiências e vivências em verdadeiro patrimônio espiritual impostergável, e do qual ele, Espírito, não deixará com facilidade de sofrer acirrada e poderosa influência, pelo fato de ser o inconsciente, justamente, a região do psiquismo onde se acham alojadas as vivências que na verdade normatizam, dirigem a vontade do Espírito, e nem tanto o consciente. Este passa apenas a obedecer, submisso, o que flui de lá de dentro do Espírito de forma autoritária, imperiosa. Foi isto, justamente, que levou Paulo a dizer, peremptoriamente: "Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. - Ora, se eu faço o que não quero, já não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim; que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo" (2). O mesmo vai acontecendo conosco, estudantes do Bem, mas que ainda não lançamos dentro do inconsciente a prática diária, a vivência normal desse Bem. Muitas vezes o consciente quer, mas o inconsciente, por ser bem mais forte, prepondera e deixamos de fazer o que gostaríamos. Paulo ainda diz que, "... com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem". (3) Considerava-se, por isso mesmo, assim: "Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? (4)
Como percebemos, Paulo tinha essa sua luta como algo que o conduzia à morte, morte moral, claro, mas que também pode conduzir à morte do corpo carnal. tudo depende do que fazemos das lições que recebemos.
A Natureza, sempre operosa e sábia, proporcionou o choro da criança como uma forma de estimular o interesse dos pais aos cuidados de que há mister. Caso a criança manifestasse apenas alegria, na fase em que nem sabe falar, naturalmente deixariam seus pais sem nenhum tipo de inquietação quanto às suas necessidades indispensáveis. (5)
Fomos adquirindo mais conhecimento na medida em que estudamos o livro básico do Espiritismo, especificamente na parte em que é abordado o tema "A Infância" (6), quando o Espírito reencarnante, ao retornar à natureza que lhe é própria, mostra-se tal qual era no passado. Nós, em verdade, não sabemos o que oculta a inocência das crianças, o que nos leva a ter por elas afeição, carinho, como se fossem parcelas de nós mesmos. É desta forma que o amor de mãe é considerado como o maior que um ser pode dedicar a um outro.
Com o providencial esquecimento do passado, os pais não sabem quem são seus filhos e o que fizeram, como também o reencarnante desconhece quem eles, pais, foram no passado; é como se as vidas fossem livros que estariam sendo escritos pela vez primeira, na atual reencarnação.
Como a reencarnação tem a finalidade precípua de aperfeiçoamento do Espírito, a delicadeza da idade infantil torna o Espírito brando, acessível aos conselhos da experiência dos que devem fazê-lo progredir. É nesta fase infantil que os caracteres são mais moldáveis e maiores possibilidades existem de serem reprimidos os maus pendores. Foi esse o dever imposto por DEUS aos pais.
Costumamos salientar em nossas palestras sobre educação dos filhos, que DEUS divide com os pais terrenos a Sua Paternidade Divina, esperando tão somente que façamos a nossa parte que ELE fará a dELE, e por uma razão muito simples: 'ELE é o autêntico PAI, e nós não. Somos "pais de aluguel", por isso mesmo temporários, incumbidos de prestarmos a nossa modesta colaboração na obra da criação e educação dos filhos de DEUS. E aditamos: se fizermos a nossa parte, DEUS fará a dELE. Caso não cumpramos com a nossa obrigação, seremos responsabilizados e responderemos carmicamente pela nossa negligência, sofrendo o que fizermos sofrer.
Em vista do que estamos apreciando, fácil é deduzirmos que, o Espírito, ao animar um corpo infantil, pode ser mais adulto, mais evoluído do que os seus pais, caso tenha progredido anteriormente em vidas passadas.
Emmanuel, Venerável Mentor de Chico Xavier, afirma que até os sete anos o Espírito ainda se encontra em fase de adaptação para a nova existência que lhe compete no mundo, inexistindo uma integração perfeita entre ele e a matéria orgânica (7). Recorda mais vivamente o mundo que deixou para trás, tornando-se, deste modo, mais suscetível de renovar o caráter e moldar novos caminhos existenciais. Resulta daí ser a vida no lar uma experiência muito importante para edificar o homem, sendo também muito profunda a missão da mulher perante as leis divinas, aditou o Venerável Espírito.
As melhores energias paternais e maternais devem ser desenvolvidas, no sentido de canalizar para seus descendentes diretos um modelo de educação que integre o reencarnante num digno padrão moral de vida. Ainda é, pois, o lar a melhor escola onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter.
Não sendo oferecida a educação no lar, só mesmo o processo violento das provas rudes, no mundo, poderá renovar o pensamento e o modo de ser da criatura recém-chegada para uma nova vida.
Emmanuel não se mostrava muito favorável, pelo menos na época em que ditou pelo Chico Xavier o livro em apreciação, quanto à instalação da educação sexual nas escolas, (8) alegando que os professores não sentiam (ainda) nos discípulos os filhos reais dos seus corações. Eles estão muito aferrados aos problemas salariais, tabelas administrativas, auxílios oficiais, situações de evidência no magistério, fixados nas promoções, etc. Desconhecemos se hoje Ele continua pensando do mesmo jeito, tendo em vista que já se cogita este tipo de ensino compartilhado pelos pais e professores nos estabelecimentos de ensino. Claro, acentua o Venerável Espírito, que há as exceções no quadro daqueles professores que querem apenas instruir o intelecto, sem saberem iluminar os corações de seus alunos. Aconselha que a tarefa de educação sexual dos filhos seja atribuída aos pais, até que o planeta possua as verdadeiras escolas de JESUS, onde a mulher cumprirá seu sagrado ministério de mãe e o pai será um centro de paternal amor.
Considera Emmanuel que as escolas podem renovar seus métodos pedagógicos de ensino visando melhor atender aos alunos, mas que é o lar a escola educativa por excelência, porque nele deve estar instalado o culto do Evangelho que se constitui numa fonte de renovação moral/espiritual, levando em consideração que surge a oportunidade de mostrar às crianças e jovens o único e inigualável modelo de vida - JESUS.
Sobre o problema dos pais  espíritas forçarem ou não os seus filhos a seguirem suas orientações religiosas espiritistas, vale a pena lembrarmos palavras de Divaldo Pereira Franco inseridas num livro (9): "Temos ouvido alguns confrades afirmarem: Eu não forço os meus filhos para a evangelização espírita, porque sou muito liberal. Ao que poderia acrescentar: "Porque não tenho força moral". Se o filho está doente, ele o força a tomar remédios; se o filho não quer ir à escola, ele o força. Isto porque acredita no remédio e na educação. Mas não crê na religião que abraçou, quando afirma: "Vou deixá-lo crescer, e depois ele escolherá". "Para mim" - acrescentou Divaldo - "representa o mesmo que o deixar contaminar-se pelo tétano ou outra enfermidade, para depois aplicar o remédio". Deu outro exemplo, isto é, quando frente a um tuberculoso, falar-lhe: "Você deve cuidar da higiene, de sua alimentação e de sua saúde". Divaldo, em nosso entender, quis mostrar que o comportamento desses pais obedece o seguinte critério: "Fechar a porta depois dela ser arrombada".
Prosseguindo, o grande tribuno espírita quis mostrar resumindo, que os pais dão a melhor alimentação, o melhor vestuário, o melhor colégio dentro de suas possibilidades, mas na hora de dar a melhor religião, eles se acomodam, amedrontam-se. Aos pais é incumbido o dever de oferecer aos filhos o que há de melhor, cabendo aos filhos, ao se tornarem adultos, fazerem, aí sim, as suas opções de ordem religiosa. Necessário é motivar os filhos, enquanto crianças, através dos exemplos em casa, que o Espiritismo é, sem dúvida, a mais indicada de todas as religiões, imprimindo em si mesmos todo o comportamento espírita. Uns obrigam os filhos a irem à evangelização; todavia, em casa, não mantém uma atitude espírita. O exemplo dos pais espíritas em casa tem efeito altamente convincente.
Há pais que reclamam do horário, muito embora Divaldo tenha perguntado qual a melhor hora para a evangelização sem ser domingo de manhã. Divaldo interroga um desses pais que não têm hora para levar os filhos à evangelização: "Que hora é melhor?" Outra hora - respondeu. Divaldo insiste: "Mas qual?" Volveram a perguntar: O que é que é que você acha? Divaldo retrucou: "Eu não acho nada, porque eu não tenho filho, você é que tem". Mas não poderia ser em outra hora - voltou o pai à carga: Contesta Divaldo: "Depende de você achar a hora, porque, durante os dias da semana as crianças não podem porque estão estudando; no sábado, à tarde, o evangelizador tem que arrumar a casa, cuidar das compras, etc. Domingo, à tarde, os pais não podem porque as crianças têm as festinhas de aniversário, as matinezinhas, isso e aquilo; de noite não convém, porque criança não pode dormir tarde. Domingo de manhã - continua o pai desavisado - nem sonhar, porque a Bahia foi feita por DEUS com tantas praias e mulheres bonitas para serem desfrutadas. Para que praia, então, se o baiano não pode ir? Domingo queremos ir à praia, Sr. Divaldo". Em vista desses argumentos, Divaldo responde que a evangelização não era, absolutamente, o problema, muito pelo contrário, era a solução para todos os problemas do ser humano. E aditou que as pessoas que pensavam assim, não eram espíritas, que elas não querem é perder a praia, alegando que os filhos precisam tomar sol e banho de mar. Por fim, Divaldo acrescentou: "Percam umas praiazinhas mas salvem os seus filhos. Hoje vocês os levam à praia, mas depois, invariavelmente, ficarão chorando e perguntando a DEUS por quê o filho cometeu tamanho deslize?"
O remorso pode bater no interior desses pais e, naturalmente, frente às suas próprias negligências, haverão de perguntar sem obter a resposta desejada: "Por quê Senhor, o meu filho cometeu tal delito? Eu o fiz nascer com as feições do menino JESUS, e agora o vejo com o rosto de Judas de Kerioth".
Que seja, pois, uma preocupação permanente, nas mentes paternais e maternais espíritas, principalmente, a evangelização de seus filhos, evitando mais tarde que eles descambem para toda sorte de vícios e paixões próprias do momento que nossas crianças atravessam, e cujas conseqüências são terrivelmente dolorosas.
(1) O Livro dos Espíritos, pergunta 383, edição FEB.
      (2) Epístola de Paulo aos Romanos, cap. 7:19/21
      (3) id ibidem versículo 18.
      (4) id ibidem versículo 24
      (5) O Livro dos Espíritos, perg. 384
      (6) O Livro dos Espíritos, Parte 2ª cap. VII
      (7) Livro O Consolador, edição da FEB, perg. 109
      (8) id ibidem, perg. 110
      (9) Livro "Diálogo", da USE (União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo) Pág. 68.

ADÉSIO ALVES MACHADO

Escritor, Orador e Radialista.
Autor dos livros: Ser, Crer e Crescer - Elucidações Para uma Vida Melhor;
Diálogo com Deus - Preces de MEIMEI
e Verdades que o tempo não apaga, lançado recentemente. Para adquiri-los ligue: (22) 2555-4753 ou (22) 2555-1580
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 FONTE:http://www.ger.org.br/a_importancia_educacao_infantil.htm

domingo, 5 de agosto de 2012

EDUCAÇÃO ESPÍRITA

DUAS ASAS DA EDUCAÇÃO ESPÍRITA


DUAS ASAS DA EDUCAÇÃO ESPÍRITA

Geziel Andrade

Certa vez, um discípulo chegou na presença de seu Mestre e lhe perguntou:

-Mestre, o que devo fazer para que a minha alma alcance a presença de Deus, tão logo haja a morte do meu corpo material?

O Mestre, de imediato, respondeu-lhe:

-Você precisa adquirir duas asas. Serão elas que conduzirão naturalmente a sua alma à presença de Deus. A primeira asa é a da SABEDORIA. E a segunda asa é a do AMOR.

E ante à surpresa do discípulo, o Mestre continuou:

-Se você conquistar apenas uma dessas duas asas, a sua alma não conseguirá alçar o vôo que pretende realizar.

Como o discípulo permanecesse com um olhar indignado, o Mestre continuou:

-Para você adquirir a asa do amor, você precisa colocar a bondade e a fraternidade no seu coração e passar a prestar serviço útil e desinteressado aos semelhantes. Para você conquistar a asa da sabedoria, você precisa da auto-educação, da acumulação de experiências e da busca de conhecimentos elevados. Somente assim, durante a sua vida material, a sua inteligência será bem empregada; e o seu saber será aplicado com bons sentimentos e nobreza moral. Então, o Todo-poderoso terá grande satisfação em receber a sua alma, quando ela deixar a vida terrena.

O discípulo, surpreendido com o que ouvira, afastou-se de cabeça baixa, revelando claramente que estava consciente de que tinha grande desafio a vencer.

A COERÊNCIA DESSA HISTÓRIA

Os ensinamentos espíritas, a seguir apresentados, confirmam a importância de obtermos, através da educação, as asas da sabedoria e do amor. Então, a nossa alma conseguirá atingir a Espiritualidade Superior, após a morte do seu envoltório material.

Allan Kardec, nas Questões 111 a 113 de “O Livro dos Espíritos”, nos ensina que: “Os Espíritos superiores reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade. E os Espíritos Puros, que já atingiram a superioridade intelectual e moral absoluta, desfrutam da vida eterna no seio de Deus, de quem são os mensageiros e ministros”.

O Espírito Emmanuel, no Capítulo 36 do livro “Pão Nosso”, de psicografia de Chico Xavier, nos ensina que: “As portas do Céu permanecem abertas. Nunca foram cerradas. Todavia, para que o homem se eleve até lá, precisa asas de amor e sabedoria”.

O Espírito Corrêa de Lacerda, no livro “Recordações em Leopoldina”, psicografado por Chico Xavier, nos diz que: “A sabedoria e o amor são as duas asas da alma para o vôo supremo às esferas supremas da Divindade”.

O Espírito Meimei, no Capítulo 30 do livro “Instruções Psicofônicas”, recebido por Chico Xavier, nos recomenda: “Cultivemos o cérebro sem olvidar o coração. Sentir, para saber com amor; e saber, para sentir com sabedoria, porque o amor e a sabedoria são as asas dos anjos que já comungam a glória de Deus”.

O Espírito André Luiz, no Capítulo 1 do livro “Nos Domínios da Mediunidade”, psicografado por Chico Xavier, nos diz que: “Das Esferas Mais Altas, os gênios da sabedoria e do amor supervisionam nossas experiências”. E no Capítulo 13 desse mesmo livro nos diz que: “Amor e sabedoria são as asas com que faremos nosso vôo definitivo, no rumo da perfeita comunhão com o Pai Celestial”. E no Capítulo 17 do livro “No Mundo Maior”, nos ensina que: “Os vôos altíssimos da alma só se fazem possíveis quando à intelectualidade elevada se alia o amor sublime. O Poder de raciocínio deve estar aliado à sublimação do sentimento”.

O Espírito Joanna de Ângelis, no Capítulo 45 do livro “Lampadário Espírita”, psicografado por Divaldo Pereira Franco, nos orienta que: “É verdade que o homem não atinge as Altas Esferas sem as luminescências do conhecimento; da mesma forma ninguém evolui realmente sem a santificação dos sentimentos, através da conjugação do verbo amar, em todas as suas expressões”.

Dessa forma, educando-nos com os recursos espíritas e crescendo de forma equilibrada em termos intelectuais e morais, conquistaremos essas duas asas importantes, melhorando o raciocínio, sublimando os sentimentos e dando boa direção ao livre-arbítrio e à vontade. E para essa conquista, dispomos ainda das seguintes orientações:

Léon Denis, no Capítulo 25 do livro “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, nos ensina que: “O amor depura a inteligência, põe à larga o coração, e é pela soma de amor acumulada em nós que podemos avaliar o caminho que temos andado para Deus”.

O Espírito F. Purita, no livro “Vozes do Grande Além”, psicografado por Chico Xavier, nos recomenda que: “Devemos viver fazendo esforço máximo no bem, colocando cultura constante no cérebro e bondade infatigável no coração”.

O Espírito Sra. Owen, no livro “A Vida Além do Véu”, de psicografia de G. Vale Owen, nos ensina que: “O amor e a sabedoria devem estar ligados. Se o amor se expande e a sabedoria se manifesta, o resultado é bom e saudável. O amor e a sabedoria devem estar na conduta própria e na relação com os outros”.

O Espírito irmã Maria do Rosário, no livro “Na Educação da Alma”, psicografado pela médium Lúcia Cominatto, nos alerta que: “Através do esforço próprio e das experiências nas diversas situações que a vida faz o ser humano percorrer, vai formando a sua bagagem espiritual, isto é, vai conquistando, simbolicamente, as duas asas – amor e sabedoria – que haverão de conduzi-lo para Deus. Assim, estuda, aprende, esforça-te por melhorar a cada dia, cultiva em ti os bons sentimentos e dedica o teu viver a fazer o melhor para a tua evolução, também através da extensão do amor ao próximo e das boas obras que conseguires realizar em favor dos teus irmãos”.

A CONQUISTA E A PRÁTICA DA SABEDORIA E DO AMOR COM A EDUCAÇÃO ESPÍRITA

Portanto, em função do que vimos: bom ânimo no desenvolvimento do amor pela evangelização espírita, pois ninguém melhor do que Jesus ensinou-nos a conquistar e praticar essa virtude sublime; esforço incessante na conquista da sabedoria e do progresso intelectual, pela dedicação ao estudo, pela leitura dos bons livros, pelo crescimento em instrução, cultura, conhecimentos e experiências.

Então, manteremos as atividades nobres, o trabalho perseverante, o estudo incessante, os atos bondosos, o serviço útil ao próximo, a ajuda aos aflitos, a promoção do bem-estar coletivo, as condutas morais sábias e elevadas; bem como o sucesso, a prosperidade, a alegria e a felicidade fazendo parte de nossa personalidade e vida.

Somente assim, seguimos trilhando o caminho estreito que conduz ao pleno domínio e à prática da ciência, do saber e da moralidade; e conquistando a elevação intelectual, moral e espiritual que faz surgir em nossa alma as duas asas que ela precisa para alçar seu vôo glorioso ao Reino do Altíssimo. 
 
FONTE: http://gezielandrade-espiritismo.blogspot.com.br/2009/10/duas-asas-da-educacao-espirita.html em 05/08/2012

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Espiritualidade fará parte de histórico médico daqui a alguns anos, afirma especialista


Há algum tempo, hospitais e médicos vêm utilizando a espiritualidade como aliado no processo de cura do paciente. Apesar de ser um assunto polêmico, muitos pesquisadores já apontam um papel positivo da espiritualidade e religiosidade em doenças coronarianas, hipertensão arterial, ansiedade, depressão, função imune e mortalidade em geral.
“De uma maneira geral, as pessoas interpretam todos os acontecimentos de sua vida sob uma visão espiritual e conhecer e respeitar esta interpretação é de grande
ajuda para o doente e para o profissional que o assiste”, acredita Islan Nascimento, otorrinolaringologista e presidente da Associação Médico-Espírita da Paraíba.
Segundo ele - que coordenará um encontro sobre o assunto a partir desta quinta-feira (7) - o tema vem ganhando cada vez mais destaque. Para se ter uma ideia, de 1980 a 1982 o tema foi pesquisado e publicado em 101 artigos de revistas indexadas. De 2003 a 2005, foram 1,8 mil. Desde 2000, foram quase três mil artigos. “A medicina é baseada em pesquisas. Há 20 anos, ninguém questionava o paciente sobre seu histórico sexual. O tema era visto como algo particular. Hoje, é procedimento-padrão. Daqui a 20 anos isso acontecerá com a espiritualidade, que vem conquistando espaço nos consultórios e até na vida de artistas", complementa Islan Nascimento.

É o caso, por exemplo, do ator Reynaldo Gianecchini. Na luta contra um câncer linfático, o ator global decidiu aliar o tratamento convencional ao espiritismo, e parece não ter se arrependido. Em várias entrevistas concedidas, Reynaldo Gianecchini afirmou que o procedimento o deu forças para lutar pela cura, com tranquilidade.

E o ator não está sozinho neste pensamento. Segundo a revista Veja, cerca de 80% de pacientes vítimas de câncer no Brasil, recorrem a medicinas alternativas, geralmente ligadas à religiosidade, para complementar o tratamento alopático.

"Os dados são reais, mas só recentemente a medicina passou a reconhecer a existência de tais práticas", afirma Islan Nascimento, antes de concluir: "Existem estudos comprovando que a fé tem efeitos positivos na
saúde das pessoas. Esses pacientes se sentem mais otimistas em relação ao sucesso dos tratamentos convencionais e, assim, além de se cuidarem mais, eles colaboram mais com os médicos. O objetivo é sempre usar o melhor da medicina convencional e o melhor da medicina complementar em defesa do doente".
Encontro nesta quinta abordará saúde e espiritualidade

Deixando de ser apenas "teoria" para se tornar realidade, a espiritualidade no processo de cura virou assunto sério nos consultórios e até de encontros científicos. A exemplo do 7º Encontro das Associações Médico-Espírita do Norte e Nordeste (Encontrame), que será realizado em João Pessoa, entre quinta e sábado desta semana, na Federação Espírita da Paraíba, na Torre.

Voltado para médicos, estudantes e profissionais de saúde e aberto ao público em geral, o encontro trará à capital paraibana, a presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil e Internacional, Marlene Nobre. A médica, que trabalhou com o médium Chico Xavier, ministrará a palestra de abertura do evento (Atualidade Científica na obra psicográfica de Chico Xavier), às 20h30.

Durante os dias do evento, especialistas da Paraíba, Pará, Ceará, Alagoas, Pernambuco, Piauí, Minas Gerais e São Paulo abordarão assuntos relativos ao tema central: "Saúde, Ciência e Espiritualidade". Entre eles, aborto do anencéfalo, células-tronco, Experiência de Quase Morte e Transtorno Bipolar.


ATIVIDADES PARALELAS


Paralelamente ao Encontro também serão realizados a 2ª Jornada Médico-Espírita Paraibana e o 1º Encontro Acadêmico em Saúde e Espiritualidade. Na ocasião, alunos universitários poderão apresentar trabalhos científicos sobre o tema. Os melhores trabalhos serão publicados na revista do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da
Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
O 7º Encontro das Associações Médico-Espíritas do Norte e Nordeste está sendo promovido pela Associação Médico-Espírita da Paraíba e pela Associação Médico-Espírita de Campina Grande, em parceria com a Unimed JP e com outras instituições do Estado.

Mais informações podem ser obtidas no blog da AME-PB (http://amepb.blogspot.com.br/).

Fonte:http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20120606095648&cat=saude&keys=espiritualidade-fara-parte-historico-medico-daqui-alguns-anos-afirma-especialista

A Educação Espírita

Dora Incontri
Definições Possíveis
Existem três perspectivas sob as quais se pode falar em Educação Espírita. E certo que elas acabam se unificando num só conceito. Um aspecto deriva do outro e formam uma visão única.
· Espiritismo como Educação. A essência do Espiritismo é a Educação. Ao contrário de outras correntes religiosas, que têm um caráter salvacionista, a Doutrina Espírita, com seu tríplice aspecto—cientifico, filosófico e religioso —pretende promover a evolução do homem e esta evolução é um processo pedagógico. A Educação do Espírito é o cerne da proposta espírita. Se o Espiritismo é uma síntese cultural, abrangendo todas as áreas do conhecimento, seu ponto de unificação é justamente a Pedagogia. Não foi à toa que Kardec tenha sido educador e tenha recebido influência de Pestalozzi, um dos maiores educadores de todos os tempos. Melhor compreende o Espiritismo quem o compreende pedagogicamente.
Lendo Kardec com olhos pedagógicos, pode-se observar a sua insistência e a dos Espíritos em comparações com imagens emprestadas do universo educacional. O desenvolvimento do Espírito através das vidas sucessivas é visto como um curso escolar, com seus anos letivos. A Terra é tratada como uma escola, em que as almas se matriculam para o seu aperfeiçoamento. As imagens são recorrentes e não são meros recursos literários. Há de fato uma identificação. Corroborando essa leitura do Espiritismo, Herculano Pires, em Pedagogia Espírita, comenta que: "O Livro dos Espíritos é um manual de Educação Integral oferecido à Humanidade para a sua formação moral e espiritual na Escola da Terra".
Ser espírita, pois, na acepção plena da palavra é engajar-se num processo de auto-educação, cujo fim mal podemos entrever. E estar em processo de auto-aperfeiçoamento, como já vimos, é o requisito básico do educador. Como o Espiritismo não é uma doutrina individualista, no sentido de descomprometer o ser humano de deveres para com o próximo—ao contrário, elege na caridade seu princípio máximo—quem está em processo de melhorar a si mesmo tem o dever moral de exercer uma tarefa pedagógica com todas as criaturas que o cercam. A caridade máxima, portanto, que o espírita deve procurar realizar como ideal de vida, não é o assistencialismo social, respeitável e necessário, mas limitado e superficial, é sim a caridade da Educação. Elevar, transformar, despertar consciências, contribuindo para a mudança interna dos homens—que redundará também numa evolução externa—esta deve ser a meta de todo espírita.
· A Educação Segundo o Espiritismo. Se o Espiritismo é pedagógico, olhando a questão do lado avesso, a área específica da Pedagogia humana pode se iluminar com a perspectiva espírita. Neste sentido, a Educação espírita é a prática de uma Pedagogia à luz do Espiritismo. É exatamente o que estamos teorizando nesta obra. Muitas das idéias aqui expostas poderão ser partilhadas por adeptos de outras correntes filosóficas ou religiosas. Mas para aplicá-las inteiras, para aderir a uma formulação pedagógica completamente espírita, é preciso estar convencido dos postulados básicos da doutrina de Kardec. O educador espírita, porém, poderá e deverá exercer sua tarefa com quaisquer crianças e adultos. Se a verdadeira Educação se dá quando se desperta um processo evolutivo no educando, este processo poderá ser desencadeado em qualquer ser humano, tenha ele a cultura que tiver, seja ele partidário da religião que for. A influência benéfica de um educador, consciente de seu mandato, poderá se imprimir em qualquer educando.
Assim, educar espiritamente não é necessariamente educar para o Espiritismo. Kardec sempre enfatizou que os espíritas não deveriam fazer proselitismo e muito menos violentar consciências. No relacionamento com pessoas não espíritas, o educador espírita saberá exercer sua tarefa, sem impor suas convicções.
· O Ensino Espírita. O terceiro aspecto da Educação espírita é mais específico, é o ensino propriamente da Doutrina Espírita. Mas se não houver, por parte daqueles que estão promovendo este ensino, uma compreensão clara e uma prática engajada da Pedagogia espírita, então o processo não passará de catequese, um ensino formal, destituído de compromissos mais profundos. Na linha conceitual que temos seguido aqui, é evidente que o ensino espírita não poderá ser mera transmissão de conteúdos, mas o despertar de uma consciência espiritual.
Cenários da Educação Espírita
· A Existência. Entender o Espiritismo como Educação é ser espírita verdadeiramente. Por isso, quem é espírita de fato e pratica a caridade da Educação em todas as dimensões possíveis, faz isso existencialmente, no seu meio familiar, profissional, social, espiritual... É alguém engajado na própria evolução e na evolução coletiva. O destino espiritual do próximo não lhe será jamais indiferente. Não tomará, é claro, uma postura salvacionista, nem pretenderá mudar o mundo sozinho. Mas levará até o sacrifício o compromisso de exemplificar o bem, arrastando com isso outros seres ao contágio da virtude Amará com intensidade seu próximo mais próximo, procurando estender sempre mais seu amor ao próximo longínquo, significando esse amor justamente o empenho em ajudar o outro a encontrar seu próprio caminho evolutivo.
Consolar, amparar, servir—todos esses verbos tão conjugados em mensagens e orientações espirituais—são as atitudes fundamentais de quem ensina com a sinceridade dos sentimentos e a força do exemplo. São a ponte de acesso ao coração do próximo, não como fator de proselitismo, mas como centelha para desencadear um processo de Educação. Quem presta um serviço, quem se dispõe a se doar—se o faz com o influxo de vibrações autenticamente fraternas —pode restaurar no outro a confiança existencial e a vontade de crescer. Nesta doação fraternal, pode estar incluído um prato de comida, um passe, um agasalho... Mas a caridade deve transcender tudo isto, porque deve tocar a alma do outro.
Há pessoas que entendem a prática da Doutrina apenas no exíguo espaço do Centro Espírita. Quando estão no mundo, na profissão, na família, numa festa, nas relações sociais, agem como se não fossem espíritas. Mas o compromisso educativo existencial do adepto do Espiritismo é justamente ser em qualquer lugar e a qualquer hora um elemento de influências positivas, um pólo de transformação do ambiente. Sem prepotência, sem austeridade excessiva, sem pretensão à verdade absoluta, sem autoritarismo, como quem passa e serve, o espírita deve fazer brilhar seu empenho em ser melhor, sua fidelidade aos princípios éticos fundamentais, sua sede intelectual. . . procurando partilhar sua chama interior.
Irradiar otimismo, disposição, energia e serenidade—todas aquelas virtudes que vimos como constitutivas do verdadeiro educador—deve ser uma conseqüência natural da sua compreensão de mundo. Quem sabe que a vida é eterna, que toda tragédia é passageira, que tudo caminha para a perfeição, que todos estão sob a proteção de uma Providência misericordiosa e justa, será necessariamente uma pessoa alegre e tranqüila, no controle de si mesma, podendo com isso servir de edificação e apoio aos irmãos do caminho.
A missão pedagógica do espírita, porém, não se dá apenas no plano moral. Em todos os setores de atividade, os espíritas devem também se esforçar pelo avanço intelectual de si mesmos e da comunidade a que pertencem. Promover a cultura elevada e proporcionar meios à instrução—isso faz parte integrante de seu programa de ação. É nesse sentido que se deve abrir aqui uma crítica ao movimento espírita brasileiro, que tem se preocupado muito mais com a caridade material do que com a caridade pedagógica. Dar pão e agasalho é bem mais fácil do que educar, mas educar é uma terapêutica global e uma solução social muito mais eficaz.
Entenda-se que esse empenho pela Educação intelectual não pode significar impregnar-se de materialismo, de sofismas niilistas e de especulações vazias, que são hoje o tônus da maioria das correntes dominantes. A convicção espírita firme e sincera não é, entretanto, empecilho para o diálogo, para a abertura mental e para a tolerância ideológica.
· A Família Espírita. O mais forte impacto que o Espiritismo causa na relação entre os membros de uma mesma família é a desierarquização de funções. É verdade que os pais recebem a tarefa de educar os filhos e trata-se de tarefa de grande responsabilidade moral. Mas pais e filhos, marido e mulher, avós e netos são acima de tudo Espíritos irmãos, peregrinos da evolução humana, cada qual carregando sua herança passada e sua missão presente, essencialmente iguais, e dignos todos, moços e velhos, homens e mulheres, crianças e adultos, de respeito e amor. Nesta perspectiva, o autoritarismo patriarcal do passado perde qualquer fundamento. Espiritualmente, filhos podem até ser mais adiantados que pais. Mesmo nesse caso, não ficam os pais eximidos de sua função de educar.
Outra explicação inédita que o Espiritismo nos aponta para o entendimento das relações familiares é a lei da reencarnação. Como pai e filho, irmão e irmã, avô e neto, podem nascer adversários ferrenhos do passado. E nesse caso, a convivência cotidiana deve ser justamente a oportunidade de reconciliação e ajuste. Quando o pai ou a mãe percebe num filho uma aversão inata, uma antipatia inexplicável, podem estar certos de que a relação atual é preciosa ocasião para reajuste de ódios anteriores. Cabe então ao adulto, na posse do conhecimento espírita, procurar com mais afinco, dedicação e renúncia, conquistar o amor daquele ser a quem talvez prejudicou em eras passadas. Se aquele que tem a missão de educar permanecer com o coração endurecido e não fizer a sua parte para a reconciliação espiritual, terá fracassado duplamente, como pai ou mãe e como cristão, com o dever moral de perdoar e reconciliar-se com os adversários.
Assim, num clima não-hierárquico—onde todos se sintam acima de tudo irmãos uns dos outros—de cultivo permanente de amor e respeito mútuo, a família espírita é o cenário mais propicio e mais imediato para a Educação espírita. Evidentemente, não se trata aqui de sermões esporádicos a respeito de postulados doutrinários. Mas quando o Espiritismo está enraizado na alma, entranhado no comportamento cotidiano, como explicação para os porquês da existência, como parâmetro ético, como proposta vital—então a convicção espírita se impregna naturalmente nas crianças, marcando-as para o resto da vida.
Então, nem sequer faz sentido a questão muito polemizada por certos adeptos: se os pais devem ou não ensinar Espiritismo às crianças. Se os pais s de fato espíritas, ensinarão nos mínimos gestos, nas relações familiares, na vi profissional, e na própria prática pedagógica que adotarem com os filhos, o que é ser espírita. Mas se o Espiritismo representar apenas uma freqüência rotineira um Centro, sem que haja um engajamento existencial, então obrigar a criança ir a cursos de evangelização, como se vai a um catecismo para fazer primeira comunhão (quando os pais não são católicos praticantes) é transformar a Doutrina num formalismo religioso, sem um sentido mais profundo. É evidente que tal atitude não criará convicções; ao invés, despertará resistências.
Além da função pedagógica, específica dos pais, não se pode deixar de mencionar que a família serve como cenário educativo para todos os seus membros, desde que haja engajamento no processo de melhoria Intima. É na família que podemos e devemos em primeiro lugar conquistar e exercitar virtudes fundamentais, como altruísmo, paciência, amor ao próximo e ao mesmo tempo o empenho de contribuirmos para o progresso do outro. Trata-se, pois, de um cenário permanente e fecundo para a Educação do Espírito.
A Escola e a Universidade Espírita. É numa instituição de ensino primário, secundário ou superior, que devemos também colocar em prática a Educação segundo o Espiritismo. É preciso criar espaços institucionais, onde as crianças, os adolescentes e os jovens possam receber uma Educação integral; serem amados e observados como Espíritos imortais e reencarnados; serem estimulados a se auto-educarem... Nem todos os alunos de uma escola ou de uma universidade espírita deverão ser necessariamente adeptos do Espiritismo. Aprender o conteúdo doutrinário pode ser uma opção de pais e alunos. Mas todos deverão se beneficiar de uma visão espírita da Educação. Muitas das idéias que constituem o universo da Pedagogia Espírita vêm de uma tradição que começa em Sócrates, passa por Comenius, Rousseau, Pestalozzi e têm seu modelo máximo em Jesus. Desta forma, crianças e jovens pertencentes a diferentes credos poderão usufruir de uma Educação espiritualista, sem que suas consciências sejam violentadas por imposições.
Salvo raras exceções, as escolas espíritas que fizeram história no Brasil e outras que ainda estão atuantes, adotaram o sistema educacional vigente e apenas acrescentaram uma aula de Espiritismo, opcional ou obrigatória. Quando muito, apóiam-se numa filosofia vagamente humanista. Este não é o modelo de uma escola verdadeiramente espírita. A Doutrina não pode se reduzir a um catecismo periódico, divorciado da prática existencial. Trata-se sim de oferecer escolas com uma proposta de Educação tão revolucionária, tão superior, tão mais democrática e eficaz que as ofertas vigentes, que mesmo não-espíritas disputarão suas vagas.
Manifesta-se aí o compromisso espírita de agir pedagogicamente, tanto no sentido moral quanto intelectual e mesmo estético. E preciso abolir o conceito ultrapassado de que a boa vontade supre todas as deficiências. Escolas espíritas—sem necessidade de ostentação—devem ser modernas, com arquitetura diferençada, em meio à natureza, bem equipadas e, sobretudo, com recursos humanos qualificados. E para formar recursos humanos compatíveis, precisamos de universidades espíritas. O círculo se fecha. É imprescindível criarmos um ciclo educativo completo, pelo qual possamos educar pessoas pelo menos humanistas, que se ponham na vanguarda espiritual da sociedade e espíritas mais conscientes, com uma cosmovisão doutrinária mais integrada e fundamentada. Ao mesmo tempo em que o Espiritismo pode contribuir para a melhoria da Educação, a Educação espírita deve contribuir para o progresso do próprio Espiritismo.
Certamente, não deixarão de perguntar pelos recursos financeiros necessários a tais empreendimentos. Os recursos existem. O movimento espírita não constrói centros, asilos, hospitais, orfanatos, federações? Por que não aplicar parte destes recursos para a construção de escolas e faculdades? O que falta é uma mudança de mentalidade: é preferível, embora mais trabalhoso, aplicar dinheiro em Educação do que em assistencialismo; aliás, o próprio assistencialismo deveria ser pedagógico.
Os Centros e Instituições Espíritas. A primeira instituição espírita do mundo foi a Sociedade de Estudos Psíquicos de Paris. Lá se pesquisavam os aspectos cientifico, filosófico e moral do Espiritismo. Os participantes debatiam questões existenciais, mensagens e fenômenos mediúnicos, temas do cotidiano e notícias de jornais, teorias cientificas ou filosóficas à luz da Doutrina. Intercambio entre os próprios encarnados—entre os membros da sociedade e outras sociedades semelhantes na França e no estrangeiro—e entre encarnados e desencarnados, alimentava o progresso do Espiritismo, sob a luminosa liderança de Kardec que, apesar de sua incontestável autoridade espiritual, jamais se arvorou em chefe do movimento. O aspecto acadêmico da Sociedade—no que a academia tem de positivo em pesquisa e diálogo entre os pares e não no seu r espírito sistemático e arrogante—estava presente na Sociedade de Paris, que tinha um caráter de "estudos", portanto, um caráter pedagógico.
No Brasil, houve um processo, talvez historicamente necessário, de massificação do Espiritismo. Centros, Federações, instituições diversas atendem diariamente a milhares de pessoas em todo o país. Com isso, a Doutrina penetrou em todas as camadas da sociedade e multiplicou adeptos e simpatizantes. O Brasil se tornou o país mais espírita do mundo. Mas essa disseminação em massa teve seu preço. As casas espíritas praticam um assistencialismo social e espiritual em que o indivíduo atendido geralmente assume uma atitude muito passiva de assistir cursos, palestras, tomar passes. Às vezes, após anos e anos numa casa espírita, o freqüentador tradicional não passou de fato por um processo pedagógico de crescimento global, mas pratica o Espiritismo à moda tradicional de outras religiões: de forma rotineira, mística e destituída de significação existencial mais profunda.
Já que o movimento espírita brasileiro avançou tanto em termos numéricos, chegou a hora de darmos um salto qualitativo em suas práticas: e esse salto deve ser justamente o de caracterizar toda a atividade espírita como atividade pedagógica, segundo a própria essência da Doutrina. Pode-se objetar que as atividades desenvolvidas pelos Centros e Federações são predominantemente educacionais. Cursos, palestras, estudos doutrinários, o grande movimento da evangelização infantil, as Mocidades Espíritas, a própria assistência social— sempre acompanhada do ensino do Espiritismo—e a assistência espiritual— com a doutrinação dos Espíritos—tudo isto é Educação espírita. É verdade que o movimento espírita tem esse caráter instrutivo, mas não necessariamente pedagógico. Geralmente, é um ensino exercido de forma autoritária e conservadora, arraigado nos modelos tradicionais do sistema educacional vigente e nas heranças trazidas das igrejas. Crianças, adolescentes, jovens, adultos, que chegam à casa espírita, não se tornam educandos para assumir sua própria auto-educação, num processo participativo, dinâmico e enriquecedor.
São tratados como ouvintes passivos.
A metodologia adotada para o ensino do Espiritismo, em qualquer nível costuma ser maçante e autoritária, sem recursos didáticos, sem consciência de expositores e líderes do sentido real de um processo pedagógico.
Pode-se argumentar que um dos problemas com que se depara a casa espírita é a freqüência de pessoas traumatizadas por perdas dolorosas ou portadoras de complexos problemas obsessivos. Isso faz com que tais recém-chegados sejam muitas vezes tratados de forma paternalista. Costuma-se mesmo dizer que, para estes, o Espiritismo teria um caráter apenas consolador. E quem precisa ser consolado não está interessado em renovação. E quem está obsedado não pode ter a liberdade da palavra, nem mesmo para indagar—é o que se pensa.
É evidente que o controle de qualquer atividade espírita deve ser ass do por pessoas equilibradas, moralmente idôneas, conhecedoras e praticando Espiritismo em todos os seus aspectos. Isto não é motivo para que os outros participantes do processo sejam tratados com uma falsa superioridade. O educador verdadeiro é aquele que sabe converter traumas em motivos de edificação e crescimento e fazer da participação ativa dos educandos uma terapia para seu reequilíbrio. O primeiro passo para que se dê de fato um desencadear das potencialidades dos que freqüentam a casa espírita é que sejam acolhidos como seres pensantes e dignos de serem ouvidos. Que se tornem indivíduos conhecidos, respeitados e participantes, e não meros assistidores de palestras.
Seminários, debates, reuniões de estudos em que todos possam colocar seus questionamentos e dúvidas, a própria disposição das cadeiras em círculos e não em platéias com um púlpito longínquo—tudo isso deve fazer parte do panorama pedagógico do Centro Espírita, quebrando o monólogo autoritário dos oradores. E evidente que, para isso, o Centro não precisa nem deve se converter numa arena de disputas de opinião e de brigas pessoais. É preciso criar o hábito de debater idéias com argumentos e não com ofensas e enfrentar a divergência de opinião com naturalidade, preservando sempre os postulados básicos do Espiritismo. Com líderes conscientes, equilibrados e com sólidas convicções doutrinárias, é possível se ventilar o clima com a liberdade de expressão, mantendo-se o padrão vibratório elevado e a compreensão fraterna entre todos. Aliás, isto também deve fazer parte do aprendizado. É muito fácil se obter uma harmonia aparente, sob o tacão da disciplina autoritária. O desafio é obter a união, pela adesão voluntária de todos os participantes a uma proposta de progresso e fraternidade.
Educação mediúnica
A Educação mediúnica é um dos aspectos característicos da Educação espírita, ligada ao desabrochar das capacidades extra-sensoriais que todo ser humano deverá desenvolver em sua jornada evolutiva. Como já foi analisado (ver Cap. II), há o mediunato—compromisso específico de atuação mediúnica numa dada existência—mas além desta tarefa, todos os seres humanos têm uma mediunidade geral, mais ou menos cultivada.
No caso de o indivíduo possuir algum dom mediúnico específico, a Educação mediúnica tem por meta possibilitar seu desenvolvimento e uso equilibrado, sadio e positivo. No caso de mediunidade difusa, não-específica, a meta é a de aguçar a sensibilidade extra-sensorial, a intuição, a percepção psíquica—coisas presentes em todos os seres humanos.
Tanto num como noutro caso, são facetas da proposta espírita: o controle racional das faculdades mediúnicas, fruto do estudo acurado dos fenômenos e da auto-análise que todo espírita comprometido com sua auto-educação deve permanentemente promover; o uso da mediunidade para fins úteis, nobres e cristãos; o cuidado para não converter nenhum dom mediúnico em fonte de riqueza material, de projeção pessoal ou de manipulação psíquica, ou seja, mediunidade com absoluto desinteresse e devotamento.
A Educação mediúnica não é meramente um apossar-se de técnicas, mas deve ser um fator de evolução global para o Espírito; uma possibilidade real de aperfeiçoamento moral e de prática do Bem. Os parâmetros éticos da mediunidade se sobrepõem aos aspectos técnicos, inclusive como garantia de controle do fenômeno e de atração de bons Espíritos—ao contrário de certas correntes espiritualistas que acentuam a frieza da técnica em detrimento do amor que deve orientar a utilização dos dons psíquicos.
Se, conforme Herculano Pires, O Livro dos Espíritos é um manual de Educação Integral, O Livro dos Médiuns é um manual de Educação mediúnica, que pela primeira vez na história humana colocou balizas éticas e racionais para a prática da mediunidade.
A EDUCAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Dora Incontri

Fonte:http://www.espirito.org.br/portal/artigos/ednilsom-comunicacao/a-educacao-espirita.html